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Perus: memória, verdade e reparação
Perus ocupa um lugar importante na história da luta por memória, verdade e justiça no Brasil. Em 4 de setembro de 1990, a Prefeitura de São Paulo abriu uma vala clandestina no Cemitério Dom Bosco e encontrou mais de mil sacos com restos mortais de pessoas sepultadas sem identificação.
Entre esses restos mortais, poderiam estar pessoas mortas ou desaparecidas durante a ditadura militar. A descoberta mobilizou familiares, movimentos sociais, universidades e órgãos públicos e tornou o local um símbolo da busca por respostas, identificação e reparação.
Desde então, diferentes instituições trabalham para analisar os restos mortais, identificar as pessoas desaparecidas, garantir um tratamento digno às famílias e preservar a memória do que ocorreu no local.
Página atual a ser incorporada e redirecionada: Grupo de Trabalho Perus
A Vala Clandestina do Cemitério Dom Bosco
A Vala Clandestina de Perus foi usada para ocultar restos mortais de pessoas enterradas sem identificação. Sua descoberta mostrou como estruturas públicas foram utilizadas para esconder mortes, dificultar a identificação de pessoas e impedir que famílias tivessem acesso à verdade.
O trabalho relacionado à Vala de Perus envolve pesquisa histórica e documental, análises antropológicas e genéticas, organização e preservação dos restos mortais, coleta de informações de familiares e ações públicas de memória e reparação.
A preservação do Cemitério Dom Bosco e das áreas relacionadas à vala também é necessária para garantir a continuidade dos estudos, a identificação das pessoas e o acesso das próximas gerações a essa história.
CPI da Vala de Perus
Em 5 de setembro de 1990, apenas um dia após a abertura da Vala de Perus, foi instaurada a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal de São Paulo para investigar a Vala Clandestina do Cemitério de Perus. O Relatório Final foi apresentado no dia 15 de maio de 1991.
Projeto Perus e identificação de pessoas desaparecidas
O Projeto Perus reúne a Prefeitura de São Paulo, o Governo Federal, a Universidade Federal de São Paulo e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos no trabalho de análise e identificação dos restos mortais encontrados na vala clandestina.
As análises são realizadas pelo Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo. O trabalho combina informações históricas, dados sobre as pessoas desaparecidas, estudos antropológicos e exames genéticos.
Em abril de 2025, o Projeto Perus anunciou as identificações de Grenaldo de Jesus Silva e Denis Casemiro. As famílias foram comunicadas oficialmente e os procedimentos para entrega dos remanescentes humanos e da documentação correspondente passaram a ser organizados pelas instituições responsáveis.
Informações institucionais sobre as identificações: Unifesp anuncia identificações de mais dois desaparecidos políticos
A participação das famílias
A participação das famílias é parte essencial dos trabalhos. Além de fornecer informações e amostras genéticas, os familiares acompanham os procedimentos e contribuem para que as ações sejam conduzidas com transparência, cuidado e respeito.
Conhecer o que aconteceu com uma pessoa desaparecida é um direito das famílias e uma responsabilidade do Estado.