Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026 | Horário: 11:10
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Estratégia para os “Mais Vulneráveis” em situação de rua

Medida inédita e sofisticação das abordagens, dentre outras ações, contribuíram para a extinção da “Cracolândia” da Rua dos Protestantes

A Estratégia para as pessoas “Mais Vulneráveis” (MV) começou a ser concebida pelo Programa Redenção ao constatar nos estudos realizados na Cena Aberta de Uso (CAU) de drogas da Rua dos Protestantes, conhecida como “Cracolândia”, a presença de um grupo de pessoas, embora relativamente pequeno, de extrema vulnerabilidade, como crianças e adolescentes e gestantes, além de outros que permaneciam com mais frequência. Os profissionais da saúde perceberam neste grupo a predominância de perfil com condições mais graves, para além do uso nocivo de drogas, e propuseram um conjunto de atributos para identificá-las e cadastrá-las como MV: mulheres, gestantes, crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, com tuberculose (TB), com HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), e com transtornos mentais. Esta medida foi uma das chaves para que a Prefeitura conseguisse chegar ao resultado alcançado no dia 10 de maio de 2025, quando o número de dependentes químicos na “Cracolândia” foi zerado. 


Esses casos passaram a ser mapeados nominalmente pelos agentes da saúde e da assistência social, com levantamento completo de dados e atendimentos, permitindo um acompanhamento mais efetivo e articulado com outras equipes para ajudar de forma mais eficiente àquelas pessoas, tendo como premissa a “Vaga Zero”: prioridade absoluta nos encaminhamentos aos equipamentos das redes da saúde, da assistência social e de outros serviços e benefícios sociais. 


Uma vez incluído nesse grupo dos MV, o indivíduo continua na base da Secretaria Municipal da Saúde e da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social mesmo que já não esteja mais em situação de rua, inclusive para maior atenção em situações de recaídas. Sendo assim, a listados MV sempre será crescente por se tratar de um cadastro e pela dinâmica dos dependentes químicos no território. 


De maio de 2024 até maio de 2025 foram cadastradas 222 pessoas classificadas como “Mais Vulneráveis” na CAU, onde o crack era a droga usada predominantemente. Mas com o trabalho das equipes, em maio de 2025, restavam somente 5 pessoas MV na CAU da Rua do Protestantes. Os demais foram encaminhados de maneira voluntária para serviços de saúde, de assistência social, retorno familiar, até mesmo a municípios e estados de origem, mas eles seguem cadastrados no grupo dos MV devido ao acompanhamento longitudinal previsto na estratégia.


Com a extinção da CAU da Rua dos Protestantes, a Estratégia dos MV foi expandida para outras regiões com histórico de pessoas em situação de rua e usuários de drogas, contando com a experiência dos profissionais de abordagem da saúde e assistência que passaram por diversos treinamentos durante as suas atuações na CAU, além da realização de formação dos demais agentes que atuam nestes outros territórios, fortalecendo a rede de atendimento nos demais territórios. A criação do Guia de Ofertas e Diretrizes foi igualmente relevante, ao identificar e relacionar os diferentes serviços da rede e como acessá-los mais rapidamente. 


Com a ampliação da estratégia em outros territórios, no primeiro semestre de 2026 foram abordadas e cadastradas 447 pessoas MV na região dos Campos Elíseos, Santa Cecília e Santa Ifigênia, uma média perto de 3 pessoas por dia.  Importante destacar que, atualmente, entre os MV não há somente usuários de crack. Dos 447 MV mencionados, 46 faziam uso abusivo de crack, 178 de crack e outras drogas, 124 de álcool e outras drogas, enquanto 99 não faziam uso de nenhuma droga. Ou seja, a metade deste grupo não usava crack e 22% não usavam drogas, o que levou a ajustes na estratégia dos MV, contando com a atuação de outros programas além do Redenção, voltados para o atendimento geral de pessoas em situação de rua, fazendo ou não uso nocivo de drogas.


Não é correto, portanto, comparar o número de pessoas MV cadastradas na época da CAU com o número de pessoas que forem cadastradas como MV em outras regiões nas fases subsequentes das ações desta estratégia, até porque, como já dito, ela abrange pessoas de outros Programas, que não fazem uso nocivo de drogas, além de a estratégia estar atingindo maior abrangência territorial.

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