Secretaria Municipal da Saúde

Quinta-feira, 6 de Agosto de 2026 | Horário: 11:00
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Agosto Dourado mobiliza rede municipal para fortalecer a amamentação e a doação de leite humano

Campanha reforça a rede de apoio às famílias com ações nas UBSs, maternidades e bancos de leite para ampliar o cuidado nos primeiros meses de vida
A imagem retrata um momento de amamentação ao ar livre, transmitindo acolhimento, vínculo e bem-estar entre mãe e bebê.  Uma mulher está sentada sobre a grama, em um parque arborizado, enquanto amamenta um bebê vestido com um macacão azul-claro estampado. Ela sorri e observa a criança com expressão de carinho e tranquilidade, reforçando a conexão afetiva durante a amamentação.  Ao fundo, sobre um pano estendido na grama, é possível ver outro bebê deitado, além de uma bolsa de maternidade posicionada ao lado da mulher. O ambiente é iluminado pela luz natural, com árvores e áreas verdes ao redor, sugerindo um espaço público de convivência.  A cena destaca a amamentação como um ato de cuidado, proteção e fortalecimento do vínculo entre mãe e filho, além de transmitir uma sensação de acolhimento, saúde e qualidade de vida. É uma imagem que dialoga com temas como aleitamento materno, primeira infância, maternidade, promoção da saúde e apoio às famílias.

Mãe amamenta bebê durante a edição de 2025 do Mamaço no Parque do Carmo (Acervo/SMS)

Para muitas famílias paulistanas, os serviços de saúde são também espaços de aprendizado, acolhimento e construção de vínculos. Durante toda a gestação e após o nascimento do bebê, as equipes multiprofissionais da rede municipal acompanham mães e crianças, oferecendo orientações sobre cuidados na gravidez, puerpério e amamentação. No Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, esse trabalho ganha ainda mais visibilidade por meio de ações que reforçam a importância do leite humano para a saúde e o desenvolvimento infantil.

A campanha engloba a Semana Mundial da Amamentação, celebrada anualmente na primeira semana de agosto, e busca conscientizar a população sobre os benefícios do aleitamento materno para mães, bebês e toda a sociedade. 

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) destaca que a amamentação é uma das estratégias mais eficazes para a redução da morbimortalidade infantil, além de contribuir para o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho.

O alimento padrão ouro para os primeiros meses de vida
A cor dourada que simboliza a campanha faz referência ao chamado “padrão ouro” de qualidade do leite materno. Considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida, ele contém água, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e anticorpos na medida exata para atender às necessidades do bebê.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e sua manutenção, juntamente com a introdução de alimentos complementares, até os dois anos ou mais.

O leite materno protege contra infecções respiratórias, diarreias e alergias, reduz o risco futuro de obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol elevado, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo, da fala e da saúde bucal. O colostro, produzido nos primeiros dias após o parto, é especialmente rico em anticorpos e funciona como a primeira vacina do recém-nascido.

Além dos benefícios imediatos, estudos mostram que crianças amamentadas apresentam menor risco de desenvolver obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares ao longo da vida. A amamentação também favorece o desenvolvimento cognitivo e está associada a melhores indicadores de aprendizagem e desempenho escolar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ampliar as taxas de aleitamento materno poderia evitar centenas de milhares de mortes infantis todos os anos no mundo.

Para as mulheres, os benefícios também são significativos. A amamentação auxilia na recuperação pós-parto, reduz o sangramento uterino, contribui para o retorno do útero ao tamanho normal e está associada à diminuição do risco de câncer de mama e de ovário.

Nas UBSs, apoio ajuda mães a superar desafios
A coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e do Adolescente da SMS, Athenê Maria de Marco França Mauro, destaca a importância da rede de apoio ao longo da gestação e no puerpério. “São períodos de muitas transformações físicas e emocionais, e a mulher não deve enfrentar esse processo sozinha. O suporte de familiares, amigos e profissionais de saúde é essencial para superar dificuldades, fortalecer a confiança materna e favorecer a manutenção do aleitamento materno. 

Na rede municipal, as gestantes e puérperas encontram acolhimento, orientação e acompanhamento qualificado para que possam amamentar com mais segurança e tranquilidade”, afirma.

Embora seja um processo natural, a amamentação nem sempre acontece sem dificuldades. Dúvidas sobre a pega correta, dor, fissuras mamárias, insegurança e cansaço estão entre os desafios mais comuns relatados pelas mães.

Por isso, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) mantêm grupos de gestantes, rodas de conversa, atividades educativas e atendimentos individuais que auxiliam mulheres e famílias em todas as etapas da maternidade. Após o nascimento do bebê, as consultas de puerpério e puericultura oferecem acompanhamento contínuo para fortalecer o aleitamento materno e apoiar a saúde da dupla mãe-bebê.

As equipes orientam sobre posições adequadas, manejo das intercorrências mais frequentes e esclarecem dúvidas que podem levar ao desmame precoce. O objetivo é garantir que as mães se sintam acolhidas e seguras para seguir amamentando.

Na UBS Parque Araribá, na região do Campo Limpo, zona Sul de São Paulo, a orientação sobre aleitamento acontece todas as terças-feiras pela manhã, quando o grupo de gestantes se reúne. “O agendamento para o grupo é feito automaticamente, juntamente com a inclusão no Programa Mãe Paulistana, assim que a gravidez é confirmada”, explica a enfermeira Bruna Chaves Amorim, que coordena as reuniões desde 2023 e é responsável por tirar as dúvidas sobre aleitamento, enquanto a nutricionista Paloma Rebouças aborda os cuidados com a alimentação e o assistente social Roni Galdino auxilia as gestantes com questões relacionadas a benefícios sociais e sobre os direitos e os deveres durante o período gestacional.

Atualmente, a UBS atende 187 gestantes. Bruna diz que, na realidade do território, a vulnerabilidade social destas futuras mães é um obstáculo importante. “Grande parte das mulheres não conta com uma rede de apoio, e muitas trabalham como autônomas, sem direitos trabalhistas ou garantias; o momento em que os bebês vão para a creche é outro desafio, uma vez que, com o retorno ao trabalho, nem todas conseguem manter a rotina de amamentação”, explica.

Segundo a enfermeira, que integra uma das 10 equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) da unidade, administrada pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, as gestantes participam de, no mínimo, um encontro do Grupo de Gestantes e Aleitamento Materno durante o período gestacional; também foram implementadas ações de incentivo à adesão, incluindo recebimento de kit maternidade e o agendamento de visitas prévias à maternidade, com o objetivo de promover a familiarização com o serviço e reduzir inseguranças relacionadas ao parto. Depois, o acolhimento de puérperas acompanhadas de seus recém-nascidos também é acontece nos encontros do grupo, permitindo orientações práticas e individualizadas sobre aleitamento materno em situações de dificuldade na amamentação. 

Paula Santos, 38, já é mãe de três crianças, a mais nova com 11 anos. Com 10 semanas de gestação, ela conta que ficou sabendo da nova gravidez por acaso, durante o exame de Papanicolau, e imediatamente foi incluída no acompanhamento pré-natal na UBS. Ela também participa novamente do grupo de gestantes da unidade porque, como gosta de frisar, “a gente esquece muitas coisas.” Com os profissionais, Paula conta que reaprendeu a tirar o leite para garantir a amamentação do bebê que vem por aí, mesmo quando tiver que voltar ao trabalho. “Consegui amamentar meu filho mais novo, João Miguel, até os oito meses, tendo muito suporte da UBS, e foi muito bom para nós dois.”

Agosto Dourado mobiliza a cidade
Ao longo do mês, as UBSs de todas as regiões da capital promovem palestras, rodas de conversa, oficinas, atividades educativas e ações comunitárias voltadas à promoção do aleitamento materno.

Entre os destaques da programação estão a 11ª edição da tradicional Gincana em Prol da Amamentação, realizada por unidades da zona leste, que incentiva a arrecadação de frascos de vidro e a doação de leite humano para os bancos de leite da cidade, entre outras ações, e o Mamaço no Parque do Carmo, iniciativa que chega à 8ª edição este ano e reúne mães, famílias e profissionais de saúde para defender o direito de amamentar em qualquer espaço.

Bancos de leite 
Vale lembrar que a rede municipal de saúde conta com três bancos de leite humano municipais, localizados no Hospital Municipal Maternidade-Escola Vila Nova Cachoeirinha, no Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, e no Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, no Campo Limpo. Além disso, o HM Tide Setúbal, localizado em São Miguel Paulista, na zona leste, possui um posto de coleta de leite humano, que também atua na captação, orientação e apoio às doadoras. Juntos, em 2025, eles coletaram 3.860 litros de leite de 2.484 doadoras. Um gesto de generosidade e amor que beneficiou 3.447 bebês nas UTIs neonatais das maternidades municipais.

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