Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social
Amparo Maternal: quando a maternidade se torna ponto de recomeço

Para muitas mulheres, a maternidade é tratada como um marco, um começo. Mas, em situação de vulnerabilidade, ela acontece no meio da ruptura: sem casa, sem renda e sem apoio.
É nesse contexto que atua o Amparo Maternal, Centro de Acolhida Especial para Mulheres Gestantes e Puérperas em situação de vulnerabilidade social, vinculado à rede socioassistencial do município.
Desde 2021, o serviço já realizou 1.179 acolhimentos. Desse total, 532 foram saídas qualificadas (cerca de 45% dos casos), em que as mulheres deixam o serviço com encaminhamentos voltados à autonomia, como acesso à moradia, inserção no mercado de trabalho ou reconstrução de vínculos familiares.
Os números mostram o alcance do serviço. Mas, sozinhos, não dão conta de traduzir as histórias que passam pelo acolhimento.
“Eu fiquei três dias em situação de rua… porque a gente não conseguiu pagar o aluguel... sai só com a roupa do corpo”, relata Victoria Evangelista, acolhida pelo serviço durante a gestação.
Grávida de sete meses, ela chegou ao acolhimento depois de uma sequência de rupturas: perda da moradia, término de relacionamento e ausência de apoio familiar.
“Pra mim é assustador estar passando por isso sozinha. Agora eu não tenho plano B, eu sou o plano B do meu filho”.
Histórias como a de Victoria não são isoladas. Elas revelam trajetórias marcadas por violência, fragilização de vínculos e ausência de direitos básicos, contextos em que a gestação pode intensificar a vulnerabilidade. Segundo a psicóloga Eliane S. Bras, do Amparo Maternal, o primeiro passo do atendimento é reconstruir aquilo que muitas dessas mulheres perderam ao longo do caminho: a confiança:
“No primeiro momento é a escuta. Muitas chegam muito fragilizadas, sem conseguir confiar. Esse vínculo vai sendo construído aos poucos.”
O serviço oferece acolhimento integral durante a gestação e o puerpério, com alimentação, itens de higiene, enxoval para o bebê e acompanhamento técnico contínuo. Também são realizados encaminhamentos para políticas públicas e ações de qualificação profissional, com foco na autonomia. Mas, para além da estrutura e dos atendimentos, há um elemento que atravessa quase todas as histórias: a maternidade como possibilidade de transformação.
“A gente observa que, quando essas mulheres se veem na condição de mães, muitas expressam o desejo de romper com ciclos de violência, interromper o uso de substâncias e ressignificar suas trajetórias”, explica a assistente social e coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (CREAS) Ermelino Matarazzo, Izabel Rangel.
Esse movimento, no entanto, não acontece sem contradições.
“Eu cheguei a pensar em doar meu filho… eu falava: ‘eu vou doar, eu vou doar’”, conta Rafaela Andrade, outra usuária do serviço.
A decisão mudou no momento do nascimento.
“Quando ele veio pro meu braço… ele apagou tudo aquilo que eu tinha vivido. Aí eu pensei: agora é eu e você. E eu não tive coragem de desistir”.
Para as equipes, esse momento sintetiza o que está em jogo. A maternidade, nesses contextos, não é idealizada. Ela é atravessada por dor, medo e incerteza. Mas também pode representar o início de uma reconstrução possível.
“Elas perderam tudo, mas o que elas não perderam é o vínculo, porque não é porque existe pobreza, miséria e barbárie que não exista afeto, amor e cuidado, né?”, reflete Izabel.
É nesse ponto que o acolhimento se torna decisivo. Ao garantir proteção, escuta e acesso a direitos, o serviço transforma trajetórias marcadas pela ruptura em possibilidades concretas de reconstrução.
Neste Dia das Mães, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social reforça que acolher gestantes e puérperas em situação de vulnerabilidade é mais do que uma resposta emergencial: garantir proteção, dignidade e oportunidades de recomeço. Porque, para muitas dessas mulheres, a maternidade não começa como escolha, mas, quando encontram apoio, ela pode se transformar na força que sustenta a continuidade e na chance real de reconstruir a própria história.
Foto: Mileide Alcantara/SMADS
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