Todos ligados na mesma emoção!
13/06/2006 -
Esportes
(Denise Luque, Eder Brito, Leandro Alvares e Rodrigo Furlan) (Produção fotográfica: Ramon Dg/ Fotos Paulo Dias)
Desde a última semana, o mundo inteiro está antenado na Alemanha, local da 18ª Copa do Mundo da história de futebol. A maior expectativa desse início de competição, no entanto, ficou reservada para esta terça-feira, data em que a Seleção Brasileira fará sua primeira partida na busca pelo hexacampeonato mundial, contra a Croácia, na cidade de Berlim.
A batalha pela sexta estrela mostra a superioridade histórica que o selecionado canarinho possui sobre os outros países. Mesmo nas ocasiões em que não levantou a taça, o Brasil sempre mostrou equipes de qualidade ao restante do planeta. Mais do que isso, muitos jogadores de alto nível não puderam disputar o campeonato mais importante do futebol devido à concorrência de peso. O tipo de dor de cabeça que todo técnico gostaria de ter.
Apostando na formação de novos talentos que venham a representar a camisa verde-amarela com honra e competência, a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo desenvolve o programa Mais Esporte. Como forma de espalhar a semente do esporte que é paixão nacional entre esses jovens, os representantes regionais do projeto são ex-jogadores de sucesso, e que agora trabalham na renovação e revelação de atletas.
No total, o Mais Esporte conta com aproximadamente 65 craques trabalhando pelos quatro cantos da cidade, com o desafio de fazer do esporte uma ferramenta de inclusão social. Alguns desses ex-atletas tiveram a oportunidade de disputar uma Copa do Mundo, outros chegaram perto, mas todos tiveram muita força de vontade e capacidade para alcançar o reconhecimento profissional. Prova disso foi a presença deles na festa de abertura da Copa da Alemanha, a convite da Fifa (Federação Internacional de Futebol).
Convocado para a Alemanha
Antônio Wilson Vieira Honório voltou nessa segunda-feira, da Alemanha, recompensado “É um reconhecimento pelo que foi feito. E é um reconhecimento que partiu da própria Fifa. Foi muito importante”, explica o jogador que ficou famoso mundialmente com um nome que não consta em sua certidão de nascimento: Coutinho. O eterno parceiro de Pelé no ataque do Santos foi um dos 170 ex-jogadores de Copas convocados pela Fifa para ser homenageado durante as festividades de abertura do maior evento esportivo do planeta.
Além de Coutinho, Félix e Mengálvio também estavam na abertura. Os três craques da bola são representantes do Mais Esporte, programa da Seme. Além da cerimônia, eles participaram de outros eventos que incluíram até um jantar com a primeira-ministra alemã. Na pauta das conversas, sempre estava o nome do Mais Esporte. “Em todo lugar que a gente vai, o Mais Esporte está conosco. Tivemos a oportunidade de falar muito bem do trabalho que nós fazemos hoje no Brasil”, afirma.
Além de homenageado da Fifa, Coutinho detém o título de jogador mais jovem a iniciar carreira no Santos. Com apenas 14 anos, ele já jogava na categoria profissional do time da Vila Belmiro. Aos 16, foi convocado para a Seleção Brasileira. “O garoto tem que pegar um treinador que saiba como levá-lo, que acredite no garoto. Quando eu entrei, o time do Santos já estava em fase de crescimento. Eu aproveitei a oportunidade e não saí mais”, explica o campeão do mundo.
Integrante da seleção que ganhou o bicampeonato mundial em 1962 no Chile, Coutinho também sabe o que é a pressão do favoritismo, como acontece com o Brasil de 2006. “O importante é que o jogador não enfie isso na cabeça. Ele tem que pensar em jogar um futebol solidário, competitivo, para conseguir o objetivo que é o hexacampeonato”, explica.
O eterno defensor
Félix foi o goleiro titular de um dos melhores times que a seleção brasileira já teve. Mas não foi tão fácil alcançar este posto. “Infelizmente eu fui o jogador mais criticado dentro da seleção, apesar de ter sido titular na eliminatória toda e tomar só dois gols”, lembra. Ele ficou marcado na história do futebol brasileiro por sua participação na campanha do tricampeonato em 1970, mas quase ficou de fora daquela Copa. “Quando saiu a lista, o João Saldanha não tinha me convocado. Mas ele saiu, o Zagallo entrou, me reconvocou e eu tive a felicidade de ganhar a posição de titular”, diz com semblante aliviado. A imprensa da época chegou a chamá-lo de “ponto-fraco” da seleção. Félix demonstra um misto de mágoa e de orgulho ao falar do resultado final desse relacionamento conturbado. “Joguei a copa inteira e ouvi pedidos de desculpas de muitos jornalistas porque erraram quando disseram que eu era fraco. Eu sempre fui um cara simples, mas hoje eu deixo a modéstia de lado e digo: na época eu era o melhor do Brasil e disputei o título de melhor do mundo”, desabafa o ex-atleta.
É possível ensinar alguém a também ser o melhor? Félix parece não ter dúvida na hora da resposta: “Não, isso aí nasce com o garoto. É um dom mesmo”. Para ele, o trabalho de categoria de base perfeito não é ensinar a ser um bom jogador, mas sim “orientar o garoto que é craque, dar um seguimento de vida pra ele. Dar uma orientação para que ele não desvie daquela trajetória sonhada. Para que não entre no vício, nas drogas. É o que a gente faz dentro do Mais Esporte”, completa.
- Minuano, Leivinha e Alfredo Mostarda - Galter, João Paulo e Garotos do Mais Esporte
|