O charme do Mercado Municipal Paulistano
26/08/2004 -
Abastecimento

No dia 26 de agosto de 2004 o Mercado Municipal Paulistano, mais conhecido como Mercadão, no centro de São Paulo ganhou um novo visual com a obra realizada no local pela Prefeitura, iniciada em agosto de 2003. Com uma área construída total de 12.600 m2, o Mercado Municipal – um dos símbolos mais importantes da arquitetura paulistana – ganhou mais 8.000 m2 entre áreas novas e reaproveitadas.
Um novo piso, de placas de granito, foi instalado no local, além da retirada da fiação até então existente sobre os boxes. O teto ganhou novas luminárias e pintura original, e os vitrais saltam aos olhos, com o colorido e a beleza de sua composição, após a restauração minuciosa empreendida em cada painel.
Complexo gastronômico - A grande novidade é o mezanino, espaço recém-construído de 2.000 m2, servido por dois elevadores, duas escadas rolantes e escadas comuns, servidos por restaurantes de cozinhas variadas: árabe, brasileira (dois), italiana, ibérica, japonesa, frios e queijos, e pastéis e salgados. Nessa nova área, além do piso em madeira, foram implantados sete vãos de piso de vidro laminado e temperado sobre as ruas do Mercado, com o objetivo de manter a iluminação nos corredores sob o mezanino. Além dos oito restaurantes do mezanino, haverá também outro restaurante na Torre B, estendendo suas mesas ao mezanino do Salão de Eventos, e também uma padaria e uma choperia no térreo e andar superior, respectivamente, da Torre A.
No subsolo, o Mercado ganhou uma ala de serviços inteiramente criada pelo projeto do arquiteto Pedro Paulo de Melo Saraiva, com base em técnicas especiais de engenharia – uma vez que era necessário “driblar” a água do Rio Tamanduateí, encontrada a 1,5 metro de escavação do local. No subsolo, a população pode, a partir de agora, utilizar sanitários, fraldário e enfermaria, bem como, em espaço separado, os funcionários do Mercado têm acesso a sanitários, vestiários e refeitório. O local recebeu também melhorias nas instalações elétricas e hidráulicas, por meio da implantação de uma nova rede dentro de todas as exigências técnicas (executada em galerias de utilidades em concreto pré-moldado para tubulação da infra-estrutura e/ou integrada em dutos envelopados e protegidos com piso de alto tráfego), o que facilita a manutenção e elimina a poluição visual até então verificada em todo o Mercado. Os acessos às dependências do Mercado foram planejados de forma a atender as exigências dos portadores de necessidades especiais. Tudo feito com base em uma logística especial na obra, que garantiu, durante toda a reforma, o funcionamento normal do Mercado.
Outra novidade é o Salão de Eventos (térreo da Torre B), antigo Salão de Leilões, onde, no passado, realizavam-se os leilões de produtos e sua comercialização. Nos últimos anos, porém, o local vinha sendo usado inadequadamente para estoque de boxes do setor atacadista e como vestiário improvisado dos funcionários. Com o intuito de devolver ao Mercado seu espaço mais nobre e elevá-lo à categoria de Salão de Eventos, partiu-se para sua restauração integral, sob a supervisão do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), com a recuperação detalhada dos painéis de azulejos – provenientes da Alemanha e da Bélgica – e do piso e dos rodapés do mezanino do Salão, de origem norueguesa. O mesmo procedimento foi adotado com relação à escada de mármore carrara. No telhado, as telhas de vidro foram substituídas por placas de vidro.
Após o descerramento da placa inaugural, os presentes assistiram a um vídeo sobre a reforma do Mercado e conferiram o lançamento da exposição fotográfica de Iatã Cannabrava e Glória Flugel, "Mercadão: o Novo e o Velho Mercado de São Paulo", e do livro de mesmo nome, da FormArte Editorial.
Estima-se que, com os restaurantes instalados e a ampliação do horário de funcionamento para varejo até dezembro, a média de público – que atualmente é de 14 mil pessoas ao dia – passe a ser de 20 mil ou mais pessoas diariamente. Só no primeiro fim de semana após a inauguração (28 e 29 de agosto), foi registrado recorde de público, com cerca de 40 mil pessoas passando nos dois dias pelo Mercadão.
Complexo iluminado – Na mesma noite da inauguração (26 de agosto), começou a funcionar a nova "Iluminação Monumental", instalada ao redor de todo o edifício, realizada em parceria com a Eletropaulo. As luzes destacam a fachada, que recebeu pintura original. O objetivo dessa nova iluminação é valorizar o Mercado por sua identidade arquitetônica, enfatizando elementos de pilares, arcos e molduras, além dos rostos da deusa Ceres encontrados na fachada. Para tanto, foi feita iluminação pontual e focal nesses elementos, por meio de luminárias embutidas no piso, com lâmpadas de vapor metálico de 70 W cada. Também foi utilizada no Mercado Municipal, pela primeira vez no Brasil, a lâmpada de vapor de sódio branca na base de todos os pilares dos acessos principais, criando um pórtico de luz para destacar as entradas do edifício.
Na área interna do Mercado houve reforma da parte elétrica, de forma a valorizar não só os produtos comercializados no local, mas também os elementos arquitetônicos da estrutura do edifício. Assim, as lâmpadas mistas de 125 W cada (durabilidade de 4 mil horas) foram substituídas por lâmpadas de vapor metálico de 150 W cada (vida útil de 15 mil horas), instaladas em luminárias pendentes de vidro prismático, com distribuição de luz direta e indireta. Nos vitrais, que até então não eram iluminados, foi adotada iluminação com projetores, focalizando-os diretamente com lâmpada de vapor metálico de 70 W.
Memória - Em seus 71 anos de existência, o Mercadão projetado por Ramos de Azevedo nunca havia passado por uma reforma desse porte. O projeto faz parte do Programa de Revitalização do Centro de São Paulo – iniciado pela Prefeitura em 2001, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) –, que envolve outras iniciativas como a reurbanização da Praça do Patriarca, a recuperação do Parque D. Pedro (incluído o futuro Museu da Cidade no Palácio das Indústrias) e do Edifício São Vito, a Galeria Cultural Olido e a transferência para a região central de quase todos os órgãos públicos municipais.
As próximas etapas das obras no Complexo de Abastecimento Cantareira incluem intervenções nas Torres C e D do Mercado Municipal (com patrocínio da Petrobrás); reforma do mercado Kinjo Yamato (em frente ao Mercado Municipal, na Rua da Cantareira) e sua integração ao Mercadão; construção de uma passarela com piso rolante unindo o Museu da Cidade (antigo Palácio das Indústrias) ao Edifício São Vito e ao Mercado Municipal; execução de rede externa de esgoto em parceria com a Sabesp; além de pequenas obras para instalação dos restaurantes no mezanino e nas Torres A e B, que ficarão a cargo dos proprietários.
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